O Uso de Iscas Macias (Soft Bait) na Pesca de Traíras

©Matéria publicada em 06/08/2011 no Pescaki, quando ainda a modalidade não era muito conhecida como é atualmente. A exemplo de outros pescadores de Black-basses, eu a tinha descoberto pegando traíras muito frequentemente enquanto a meta, era na verdade, pegar os verdinhos. Agora veio para o blog devidamente revisada.

Como muita gente se interessa pelo assunto, montei esta matéria na tentativa de ajudar aos amigos que queiram aprender um pouco das manhas deste tipo prazeroso de pesca de traíras. As iscas macias são aquelas que geralmente usamos na pesca do Black bass, valendo dizer, minhocas, salamandras (lizards), criaturas, grubs e sapos (frogs) macios.

Tanto em lagoas naturais, ou em lagos artificiais como açudes e represas, tais iscas são muito eficientes para as dentuças, desde que bem observadas as montagens e a forma de trabalhá-las.

Há mais de uma montagem para um bom resultado, mas no meu entendimento, a melhor para esta modalidade é a denominada Texas e suas variações e é nesta que vamos focar este trabalho.

Muito simples, consiste em atar um anzol do tipo especial (anzol offset) para minhocas ou outras iscas de silicone, diretamente à ponta da linha principal, não sem antes fazê-la passar por um peso tipo “bala”, que poderá tanto ficar solto na linha, como ficar preso por uma borrachinha (stopper). Com isso, o peso figurará, ainda que rusticamente, como uma “cabeça” para a isca. Na falta de um peso específico (tipo “bala”), pode ser usado um peso comum, tipo “caroço de azeitona”, ou até mesmo um peso redondo, pequeno. O peso deve variar de 5 a 7 gramas, podendo passar disso, vez que tal peso deve sofrer variação para atender a necessidade do momento, de acordo com a profundidade a que se está pescando e também em relação ao peso e tamanho da isca escolhida.

As fotos demonstrarão melhor a consagrada montagem:

Aqui, a montagem Texas na Variação Flórida, que é a mesma conhecida como Texas, com a diferença de ter o peso fixo, sem movimentação. Isso se consegue com um pequeno “stopper” de borracha. Geralmente se adicionam miçangas para que proporcionem algum ruído durante o trabalho da isca, mas nada impede que se dispense o uso delas.
Aqui, com a isca e a ponta do anzol ainda exposta
Aqui, com a ponta do anzol já inserida e escondida na isca para se evitarem enroscos.

A forma de trabalhar o conjunto é variada e pode muito bem ser aquela que cada pescador melhor consiga empreender. No entanto, as mais comuns são:

a) fazer o conjunto vir se arrastando pelo fundo, bem lentamente, inclusive provocando pequenas paradas;

b) fazer o mesmo trabalho acima indicado, porém acrescentando saltos repentinos à isca (isso se consegue com pequenos toques de ponta de vara para cima) e

c) Fazer o conjunto vir se movimentando de maneira a que a isca dê mais e repetidos saltos repentinos.

Pescando em áreas limpas, onde não haja muita estrutura, o peso pode ir solto na linha, mas em se tratando de local com muita estrutura, será imprescindível a fixação do peso, sem que reste livre. Caso contrário, enroscará com muita facilidade, vez que ao cair, o conjunto separa, caindo isca para um lado da ramagem e o peso para outro lado, causando o enrosco. Como este tipo de variação não se enrosca facilmente, o conjunto pode ser lançado sobre a vegetação, fazendo com que venha surfando sobre ela sem enroscar-se. É possível também pescar dentro da ramagem, fazendo com que o conjunto afunde dentro do mato ou galhada. 

Quando se pesca em dias difíceis cujo comportamento do peixe não é de ataque, ou quando a água se apresenta um tanto suja ou turva, há a necessidade de se chamar a atenção do peixe. Isso geralmente se faz com barulhos, sons, vibrações, que de alguma maneira destinam-se a despertar o instinto de caçador, inato no predador. É a hora de se usar o sistema chamado de “Doodling” ou “Shaking“, onde, entre o peso e a isca se coloca uma miçanga, ou até duas, geralmente de vidro, cristal, cerâmica ou até mesmo plástico. Isso pode ser feito, tanto com o peso fixo como solto. Apenas há de se observar que estando fixo o peso precisará de algum espaço para movimentar-se e bater nas miçangas, o que se consegue com um pequeno afastamento do stopper de borracha.

Na foto abaixo, um exemplo com duas miçangas, uma de vidro, outra de plástico e o pequeno limitador de borracha

Esta é a montagem que mais gosto para a pesca de traíras: Flórida-rig, com miçangas para dar vibração. O limitador é de borracha. Pescando em locais de muita estrutura, a borracha tem de ir bem encostada no peso. Perceba na foto que a borracha está um pouco afastada. Isso vai muito bem em áreas com menos estruturas, porque o afastamento da borracha aumenta a chance de enrosco. Este afastamento proporciona mais vibrações entre as miçangas, já que estas ficam mais livres para se moverem entre o peso e o anzol.

Por fim, há ainda uma variação, que embora muita gente não a enquadre propriamente dentro da montagem “Texas“, consiste simplesmente, na montagem onde não há qualquer peso (também chamada de “no sinking“), mas a inserção do anzol na isca segue o mesmo padrão da montagem original.

Este tipo de montagem é muito bom para iscas do tipo “suspending“, servindo para trabalhar em variadas profundidades, sem no entanto haver submersão rápida. Usado para trabalhar mais na camada superior de água, requer então iscas com cores mais específicas para este fim, ou seja, para trabalhar na contra-luz. Todavia, mesmo iscas escuras costumam funcionar muito bem e nada impede que se usem iscas que afundem mais rapidamente (Senkos, por exemplo), ampliando a área de atuação de uma montagem que implica em uma ótima movimentação da isca.

O melhor trabalho para esta montagem sem peso, é dar pequenos puxões na isca, de maneira a fazê-la dar uma pequena serpenteada e depois deixá-la por dois ou três segundos, inerte, para em seguida refazer o mesmo procedimento. Pode-se aplicar diferentes velocidades de recolhimento desde que se atente para o comportamento da isca, que deve vir serpenteando. Recolher muito depressa sem que a isca serpenteie vai limitar bastante o resultado.

Uma sugestão para substituir o peso e facilitar a montagem na variação “Flórida“, é utilizar anzóis que já vêm com o peso fixo, chamados de “Nail bomb“.

Obviamente que outras montagens também se aplicam na pesca de traíras com iscas macias, mas estas aqui apresentadas são as que imprimem melhores resultados.

E, pescando certinho, o resultado pode ser este:

Meu Filho Marcos, com uma bela dentuça

Todavia, também pode vir alguma ou outra pequena, mas a alegria é a mesma!

Até diminutas traíras entram nas iscas macias

Espero que tenham gostado e, então… mãos à obra!

Para me seguir nas redes sociais e ficar por dentro de novas publicações, basta clicar nos links abaixo:
Facebook
Instagram
Twiter

© Todos os direitos reservados sobre texto e fotos! Proibida a reprodução, porém permitido compartilhamento (vide botões abaixo) da matéria/texto em sua íntegra, sem edição através unicamente das ferramentas do Blog!

Se gostou, prestigie a página, por favor, curtindo e compartilhando clicando nos botões de compartilhamento logo mais abaixo:

2 comentários em “O Uso de Iscas Macias (Soft Bait) na Pesca de Traíras

  1. Excelente aula Grande Bomediano, embora tenha as iscas e anzois especificas , jamais fisguei algo além de enroscos por não saber dos detalhes aqui ensinado por ti. Colocarei em ação tão logo haja condições para estar nas aventuras.Obrigado Mestre!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Grande Roque, te garanto que para ter sucesso basta colocar em prática. De início, haverá alguma que outra perda do momento certo para fisgar por não estar acostumado, mas insistindo vai conseguir, com certeza. Se estiver pescando em lago artificial, tipo pesqueiro ou algo parecido, busque pescar bem colado à margem, fazendo arremessos paralelos ao longo da margem e vir trabalhando a isca bem encostada à barranca. Se for em grandes represamentos, busque pescar dentro de galhadas ou estruturas submersas.

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: