A Pesca de Piavas com Frutas e suas Manhas

Bome

A pesca de piavas com frutas e no uso de “chuveirinho” é uma forma de pescar que sempre agrada o pessoal, de maneira que já demonstrei isso em várias matérias, começando pela Revista Troféu Pesca, passando pela Revista Pesca & Companhia e esta abaixo, que foi publicada no Pescaki em 24/02/2016.

Na região onde vivo, no Vale do Paraíba, é muito comum a pesca de piavas usando frutas como iscas. Isso vem de muito antes do advento dos pesqueiros, onde hoje se usam estas iscas.

As mais usadas são o abacate, a banana, a goiaba, o melão, o tomate e mais outras frutas, sempre tentando oferecer a isca que as danadas querem no dia.

Eu já tinha colocado duas matérias na extinta revista Troféu Pesca e, mais recentemente, uma na Revista Pesca & Companhia sobre o assunto, mas já tem um tempo que venho prometendo colocar aqui as orientações para esta modalidade de pesca.

Então, segue o tópico aproveitando as fotos da última matéria, que saiu na edição nº 204 da Pesca & Companhia.

Nosso glorioso rio ainda oferece jornadas muito boas, sobretudo na pesca de piavas, com dias de muitas capturas, mas também com dias de nenhuma. Contudo, dificilmente uma jornada falha a ponto de zerar o número de peixes no dia, desde que se esteja preparado para que algum sucesso seja alcançado.

O que aqui fazemos não é pescar com ceva, ou cevando enquanto se pesca. Então, a mais evidente vantagem em termos de preparo é pescar embarcado, vez que assim se pode mudar de ponto a cada lapso de tempo entre dez e quinze minutos, favorecendo bastante para encontrar o peixe. Contudo, nada impede de se pescar desde a barranca, pois mesmo assim ainda é possível boa jornada.

Pescando embarcados, o que fazemos de início é subir o rio até onde der, para em seguida, começar a descer, parando de ponto em ponto, sempre naqueles mais promissores, não permanecendo por mais de dez a quinze minutos se não houver ação. Havendo ação, permanecemos enquanto os peixes demonstrem alguma atividade para só abandonar o ponto quando já não houve ação. Em um bom dia de pesca, a jornada se realiza em único ponto, não demandando ficar procurando. Por outro lado, em dia de pouca atividade, acabamos por repetir pontos onde tenha havido algum sinal, ainda que fraco, de peixe.

Pescando desembarcado, o melhor a fazer é levar alguma ceva para ir jogando no rio, vez que se perde a mobilidade, fundamental, para este tipo de pesca.

Na foto abaixo dá para se perceber na margem esquerda do rio, a estrada atrás da fraca mata ciliar, onde há postes denunciando-a. Esta estrada liga Guararema a Santa Branca e tem um pequeno trecho de asfalto (mais perto de Guararema) e cerca de 15 Km de terra batida, com uma boa parte do percurso bem próxima à margem do rio (igual ao que se pode ver na foto), facilitando encontrar algum que outro ponto de acesso livre para pescar. De mesmo modo, na margem direita do rio, há a estrada de terra batida que liga Guararema a Jacareí, com um percurso de aproximadamente 22 Km, onde se repetem as possibilidades, mas é uma estrada praticamente sem manutenção, com menos movimento, sempre muito ruim, sobretudo em tempos de chuva.

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Na foto abaixo, demonstro como fazemos para deixar as varas de espera. Tenho uma ripa de madeira que se encaixa entre as bordas do barco e que fica servindo de apoio para as varas, que podem ser de duas a quatro, ou até mais, em espera.

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Agora, a mostrar como se colocam as iscas nos anzóis. Primeiro fazemos um chicote, que aqui na região é conhecido pelo curioso nome de “chuveirinho”, onde se empatam de três a quatro anzóis variando de tamanho nº 10 a nº 12, tipo maruseigo ou outro equivalente, de maneira que depois de a linha trançada reste um laço na extremidade contrária à dos anzóis. Mais à frente se percebe a importância deste “laço”. É fundamental montar, de maneira que quando se estica o conjunto os anzóis fiquem na mesma distância da outra extremidade, alinhados.

O comprimento do chicote pode variar entre 20 cm até 60 cm, sempre dependendo do gosto do peixe.

Este “chuveirinho” pode ser confeccionado de antemão, na véspera, ou até mesmo o pescador já os ter prontos há mais tempo. Eu os tenho prontos. Também será importante que tenham comprimentos variados, para que cada um, conforme a correnteza apresente um movimento diferenciado para chamar a atenção dos peixes.

Obs. a linha usada para demonstração é escura justamente para que saia bem visualizável nas fotos.

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No momento não tenho fotos de como cortar e iscar abacate, mas é bastante parecido com o que abaixo se vê com a banana, partindo sempre da casca para a polpa, mantendo-se a casca para ajudar a firmar a isca no chuveirinho.

No caso da banana, há dois modos de cortar e de iscar, conforme se utiliza as pontas e as partes do meio da fruta.

É deveras importante saber o ponto de maturação das iscas para que estas não se desfaçam e se soltem muito facilmente dos anzóis. Então, nunca se deve usar fruta muito madura, mas sim aquelas em começo de maturação, ainda com alguma firmeza de tecido. No caso do abacate tem de ser ainda um pouco mais firme, de sorte que para reconhecer o ponto certo é preciso apertar a casca sem que esta ceda muito facilmente. Na verdade, se o abacate estiver no ponto para ser consumido, já passou do ponto para servir de isca. :coolio:

Reparem que para a parte da ponta, o tratamento de corte é diferente para as partes do meio da banana, sempre deixando uma parte com a casca, para dar maior firmeza na contenção no anzol.

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Em seguida, precisaremos de uma pequena ferramenta de perfuração que tenha a ponta com uma ranhura que permita enroscar a linha por aquele “laço” mais acima já demonstrado. Então, tanto pode ser uma ferramenta feita de forma artesanal com um pedaço de arame, como uma agulha de crochê, tal como se pode ver abaixo.

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Aqui, a maneira correta de perfurar as iscas e, depois, enroscar a linha do conjunto de anzóis na farpa do perfurador

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Depois de enroscar a linha, puxá-la por dentro da isca, transpassando-a, tal como se demostra abaixo

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Seguir puxando a linha, trazendo os anzóis até a isca

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Enterrando os anzóis de forma cruzada, como abaixo demonstrado

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Enterrar os anzóis até que restem bem escondidos dentro da isca. Isso é necessário, tanto para camuflar os anzóis, como para melhor conter a frágil isca

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Finalmente, temos aqui, um conjunto já montado e pronto para o arremesso.

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Enquanto fico na espera de ações, vou deixando vários chuveirinhos já iscados com mais de uma opção de fruta, de sorte que uma vez perdida uma isca já tenho outra pronta para o arremesso, bastando apenas trocar o conjunto que está no snap com girador da linha principal.

Os arremessos deverão ser a uma boa distância do barco, podendo ser além dos trinta metros, mas nunca é má ideia deixar de lançar um conjunto um pouco mais perto. Então, o que faço é lançar cada conjunto a uma distância diferente da do outro para que as linhas não se cruzem ou enrosquem. :coolio: 

O peso do chumbo vai sempre adotado considerando-se o volume e força da correnteza, pois o conjunto precisa alcançar o fundo do rio.

E, fazendo tudo da forma apresentada e pescando certinho, os resultados podem vir a ser assim:

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É sempre bom lembrar que, apesar de raros, de vez em quando se tem a surpresa de um pacu ou tambacu capturado neste tipo de montagem, vez que eles campeiam pelo rio desde o adventos dos primeiros rompimentos de diques de pesqueiros na região. :ok: 

É isso aí, uai! :simsim: Espero que gostem e, sobretudo, pratiquem!!

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